Recuo do PIB põe em risco o pleno emprego

Atividade econômica do país tem o pior desempenho trimestral desde 2009 na comparação com os três meses anteriores



Perda de fôlego do agronegócio, falta de confiança dos empresários em investir e resultado tímido da indústria e dos serviços puxaram para baixo o desempenho da economia brasileira no terceiro trimestre em relação a igual período anterior. Sobrevivente do vaivém do Produto Interno Bruto (PIB) nos últimos anos, o pleno emprego pode sofrer algum efeito.

Ainda que esperada pelo mercado, a retração de 0,5%, divulgada nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), surpreendeu pela intensidade – é o pior resultado desde o primeiro trimestre de 2009. Empresários e consultorias econômicas esperavam queda de 0,1% a 0,4%. Importante motor da economia do país no primeiro semestre, a agropecuária desta vez caiu. Sem os efeitos da safra de milho e de soja, despencou 3,5% entre julho e setembro.

A indústria acusou a alta do juro no país e a concorrência internacional. Além disso, diante de crédito mais escasso e caro, os investimentos diminuíram 2,2%, o que exerce pressão sobre o cálculo do PIB.

– A economia continua morna na casa do consumo, do investimento e da indústria, que tem enfrentado dificuldades para concorrer lá fora. Se é verdade que a economia internacional não está favorável, também é que o governo não tem conseguido reanimar a economia, apesar de todos os esforços – explica Francisco Pessoa, analista-chefe da consultoria LCA.

A dificuldade do país em emendar uma sequência de crescimento já começa a colocar em xeque o cenário de pleno emprego, avaliam especialistas. As principais portas de vagas têm sido abertas pelo segmento de comércio e serviços, lembra Sabino da Silva Porto Junior, professor de Economia da UFRGS. Esse setor cresceu 0,1% pela segunda vez em três trimestres, indício de menos dinheiro circulando nas ruas e expansão travada.

Recua estímulo do consumo para a criação de vagas

– O endividamento está cada vez mais alto, o que está levando a população a reduzir o consumo. Aquela catraca do consumo, estagnada há algum tempo e que puxou a economia nos últimos meses, parece estar mais perto do fim. Isso pode afetar diretamente a geração de vagas – explica Sabino.

Uma lenta recuperação que se ensaia para a indústria nos próximos meses, que poderá se acelerar em 2014, dificilmente equilibrará um eventual resfriamento do emprego, analisa Alexandre Englert Barbosa, economista-chefe do Banco Sicredi. Cada ponto percentual de crescimento no setor de serviços gera o dobro de emprego do que o mesmo percentual de avanço da indústria.

– No entanto, temos de lembrar que há menos gente entrando no mercado de trabalho. Mesmo o crescimento mais baixo do PIB pode garantir a manutenção do nível do emprego, ainda que não veremos grandes altas – pondera Barbosa.

Fonte: Zero Hora


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