No Brasil Econômico: "País tem que ampliar defesa comercial"

Previsão é que indústria cresça entre 2% e 3%, prejudicada pela concorrência de importados

Entrevista - Robson Andrade

O plano do governo federal de reforçar os investimentos públicos para buscar um crescimento de pelo menos 4,5% da economia neste ano não foi suficiente para dar ânimo à indústria brasileira. O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, disse ontem ao BRASIL ECONÔMICO que o setor industrial deve continuar patinando, e crescer entre 2% e 3% apenas, caso não sejam tomadas medidas mais efetivas para conter a entrada de produtos importados no país. A avaliação é de que a própria recuperação da indústria nacional está condicionada à medidas de defesa comercial para coibir a entrada de produtos de países que manipulam a taxa de câmbio para ganhar competitividade, como a China.

Os indicadores industriais de 2011 mostram interrupção na queda mais acentuada de meados do ano. A expectativa é mais otimista para este ano?

As perspectivas para 2012 ainda são ruins. Enquanto a economia brasileira deve crescer em torno de 4%, prevemos que a indústria do país deve patinar entre 2% e 3%, o que ainda é muito pouco. O problema vem de um cenário de crise internacional.O mercado brasileiro, em ritmo de crescimento, é alvo de importações vindas de países que manipulam para baixo suas taxas de câmbio para ganhar em competitividade.

O que ainda precisa ser feito?

Há uma série de medidas no âmbito do plano Brasil Maior que precisam ser implementadas pelo governo. Precisamos reforçar as ações na área de defesa comercial. O volume de importados cresce enormemente. Mas não é só isso. Também precisamos estender a desoneração tributária sobre folha de pagamentos para mais setores, assim como a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados).

Essas são ações que precisam ser tocadas pelo Executivo.Mas existem medidas imediatas que precisam sair do Congresso?

Sim. Precisamos resolver a questão da guerra fiscal entre os Estados feita pela redução do ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços] que possibilita a entrada de importações ainda mais baratas no país.

No ano passado, o governo diminuiu o IPI cobrado sobre fabricantes de carros produzidos com 65% de componentes nacionais e condicionou o benefício a empresas que também fazem investimento em inovação, pesquisa e desenvolvimento (P&D). Não temos que tornar a nossa indústria mais competitiva?

É preciso separar as duas coisas. Claro que há falta de investimentos em inovação pelas empresas, mas como fazer isso sem mercado? Precisamos primeiro resolver o problema da competitividade desleal advindas das importações. Só assim conseguiremos criar as condições para que as medidas de estímulo à inovação nas empresas sejam efetivas.

"O problema vem do cenário de crise internacional. O mercado brasileiro, em ritmo de crescimento, é alvo de importações vindas de países que manipulam para baixo suas taxas de câmbio para ganhar em competitividade.



Fonte: Relações do Trabalho


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